
Não fui o tipo de criança que gostava de ler, mas sempre tive exemplos ao meu redor de adultos que sempre estavam lendo.
Minha leitura favorita era, na infância, as HQs que simplesmente tomavam conta do meu quarto. Tinha também aqueles livrinhos infantis de tipo... 10 ou 15 páginas que às vezes eram um mini-resumo dos contos de fadas ou das histórias clássicas. Eu sempre ganhava um geralmente da minha avó. Com os gibis eu fazia meu pai lê-los para mim antes de dormir. Encerrava o dia de forma genial.
Outra pessoa importantíssima na minha vida de leitor foi minha bisavó, dona Mathilde, da qual tenho ótmas lembranças e herdei com orgulho alguns livros que eram de sua coleção pessoal. Ela era uma leitora voraz de romances e tinha um bom-gosto excelente.
Lembro de várias noites em que via minha mãe com algum livro a tirar colo, sempre carregando algum exemplar sobre magia, bruxaria, wicca ou misticismo. Um amor que dura até hoje. Lembro que quando era pequeno pensava sobre como devia ser legal ler um livro. Minha mãe conseguiu fazer de meu pai um leitor (pelo menos enquanto durou o casamento) e também lembro dele levando algum livro para ler na cama.
Conforme os anos foram passando eu mantive-me fiel ao meu amor por quadrinhos. Na infância minha maior paxão era pegar na locadora as fitas dos meus filmes favoritos e passar as noites assistindo. Quando, por algum motivo, não pegava fitas (o DVD só chegou quando eu já era adolescente) os quadrinhos eram como um substituto. Ganhava um monte de quadrinhos da Turma da Mônica e alguns da Disney que eu não era muito fã e continuo não sendo. (Prefiro Disney na mídia audio visual).
Meu primeiro contato com um tipo de leitura mais séria, por assim dizer, foi em 2007 com um livro chamado Os Sete Poderes que me foi indicado por minha mãe em um momento complicado da minha vida. Me fez muito bem, inclusive, ter lido aquele livro naquele momento. Depois disso me afastei novamente dos livros e me reaproximei da antiga paixão que era os quadrinhos, quando, em 2008, surgiu a série de HQs da Turma da Mônica Jovem. Por muito tempo só li isso. Tenso.
Em 2009 a internet entra de vez na minha vida. Neste momento Orkut e You Tube viram meus grandes passatempos das noites por muito tempo. Nesse inteirim, resolvo que tenho que ler mais, voltar a ler e tento, vasculhando as estantes de casa, procurar algum título que me chame a atenção. Fail. Grandão. Para alguém que nem fazia as leituras obrigatórias da escola, era óbvio que seria fail. Até Harry Potter, que é minha paixão na vida (sou potterhead), passou pelas minhas mãos sem que eu conseguisse concluir a leitura. Fato triste.

Aí, em 2012 (vejam bem: só em 2012), resolvi procurar dicas de livros na internet e acabei descobrindo um canal de uma moça chamada Tatiana Feltrin e foi a coisa mais sensacional que poderia ter me acontecido. Dei um ultimato a mim mesmo: eu precisava começar a ler naquele momento ou nunca mais e desistia. Consegui. Finalmente. E a partir de então, foi um livro atrás de outro (ou quase). Descobri na leitura uma nova paixão. Não há nada que se compare ao prazer de mergulhar em histórias envolventes e bem escritas. Conhecer personagens novos e se identificar e se inspirar com eles a cada novo livro aberto. Não há nada igual a um passeio por sebos, livrarias e bibliotecas. A indescritível sensação de descobrir naquele livro totalmente desconhecido uma grande história. Adquirir conhecimentos e experiências para a vida toda.

Agora é assim. Sempre descobrindo novos autores, novas histórias e novas séries. Amando uns e odiando outros. A cada página virada, a possibilidade de uma aventura que posso levar comigo para sempre. Assim como Tati Feltrin, durmo rodeado de autores e personagens que de alguma forma me fizeram refletir sobre questões importantes e por outros que nem conheço. Mas conhecerei. Não poderia querer nada melhor que isso. Preciso ir caramba! Tenho que terminar mais um capítulo do livro que estou lendo. Até mais.